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Os dilemas e conflitos emocionais nas histórias de família

Atualizado: 8 de fev. de 2021

Ao se iniciar a formação de uma árvore genealógica, precisa-se voltar no tempo. Criar ou aproveitar oportunidades de conversar com os pais, avós, irmãos mais velhos, primos mais velhos, tios, tios-avós e mesmo amigos dos familiares. Então, à medida em que as histórias vão sendo contadas surgem muitas perguntas, dúvidas, mistérios e os questionamentos dos motivos por detrás de cada ação ou decisão. Foram certas ou erradas, justas ou injustas e "por quê"? E, ao mesmo tempo que desenvolve-se admiração e um sentimento de orgulho pela maioria dos ancestrais, também afloram sentimentos de tristeza e até de revolta. Tornam-se inevitáveis os julgamentos, os dilemas e conflitos emocionais.




UMA HISTÓRIA DE FAMÍLIA começa numa concepção que pode ser resultado de uma bela história de amor, de um relacionamento incidental, ou mesmo de um relacionamento indesejado, ou até, lamentavelmente, forçado!


A criança pode ter sido criada num ambiente de amor, com presença paternal e parental de avós, tios, primos, etc. Ou pode ter sido criada em ambientes emocionalmente insalubres por motivos imagináveis e inimagináveis! Pode ter sido recompensada ou pode ter sido vítima de uma herança cultural ou educacional que já vinha de muitas gerações.


A visão, o entendimento e os sentimentos dos adultos envolvidos em cada história de família já são diferentes entre eles próprios dependendo do ponto de vista, da personalidade, da experiência de vida, ou de como cada um foi pessoalmente afetado. Mas, e a visão, o entendimento e os sentimentos das crianças envolvidas?


A criança torna-se adolescente. O adolescente torna-se adulto. E o adulto passa a se perguntar: "por quê"? Sua visão, seu entendimento, seus sentimentos pararam no tempo - no tempo da infância! Agora, como adulto, tenta perguntar para os mais velhos: "por quê"? Mas, os mais velhos talvez não entendam os seus sentimentos e o "por quê' do seu desejo de querer saber "por quê"! Ou os mais velhos talvez não queiram relembrar histórias tristes, lamentáveis e muitas vezes, trágicas! Mistérios, segredos! Sentimentos de culpa! Sentimentos de revolta ou de injustiça, ou de vergonha? Sentimentos ... ! Sentimentos ... ! Pode-se não conseguir perdoar. Pode-se querer entender para perdoar! Mas, aonde está o dolo, a maldade? Será que houve dolo ou maldade? Bem, vou perdoar ou vou me posicionar eternamente como vítima para que o outro se sinta eternamente como vilão?

Família! Como eu fui concebido? Em que ambiente eu me desenvolvi? Meu pai e a minha mãe também já tinham a sua história. Eu conheci a sua história desde a sua concepção e a sua formação? Sei dos seus segredos? Posso julgar meu pai e minha mãe pelos meus motivos sem conhecer, de fato, os seus motivos? Sentimentos ... !


Numa árvore genealógica vemos friamente nomes, datas, lugares e fotos. Podemos adicionar biografias e histórias! Mas, sentimentos ... ! Cada personagem teve seus motivos, teve a sua história, teve os seus sentimentos ... ! Caráter? Como posso julgar o caráter dos meus antepassados? Será que não fizeram o melhor que puderam nas suas ímpares circunstâncias desde a sua concepção e formação? Perdoar! Posso jamais entender os motivos! Posso jamais saber dos segredos! Mas, ... posso perdoar! Posso registrar e passar a limpo a história da família numa árvore genealógica em que, além de nomes, datas, locais, fotos e histórias, haja ... perdão! O perdão! O valor do perdão para se passar a limpo uma história!


Não importa como foi a minha concepção, a minha formação e a minha história. Elas me trouxeram até aqui, com os personagens do meu passado: pai, mãe, avós, tios, tias, primos, primas, padrastos, madrastas, meios-irmãos, meias-irmãs etc e etc.


E hoje eu escrevo a minha história! E a minha história pode ser escrita com alegria! Sem me vangloriar para me sentir alguém, mas, também, sem me sentir menos! Apenas sentir! Apenas escrever a minha história ... com sentimentos, mas, sem ressentimentos! Apenas escrever a minha história! Apenas escrever a minha história! Apenas ... escrever ... a ... nossa ... história - e a história da imigração no Brasil!

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